sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Salmo 22


Imagine que um dos reis mais importantes da história pudesse ser observado por você logo no início do seu dia. Quem não gostaria, em nossa sociedade ávida por mexericos, de conhecer a intimidade de uma “celebridade” deste naipe? Acho que todos concordam que “TODOS” gostariam.
Pense em como deveria ser vê-lo ao acordar de manhã; em como deveria estar seu rosto, quais seriam suas expressões, suas primeiras palavras diante do novo dia... sua primeira oração... dá para imaginar?
Pois bem, deixe-me lhe dizer uma coisa: mesmo que você tivesse esta chance, com certeza não escolheria o rei Davi para observar. Isto porque Davi não era uma pessoa do tipo que chamamos de “importante”. Ele era um homem atormentado.
O autor da maioria dos poemas do saltério (que chamamos de salmos) era perseguido por uma tristeza que parecia não ter fim. Não acredita que o autor do conhecidíssimo salmo 23 era triste? Então leia o salmo do lado, o de número 22. Nele, você vai conhecer um homem que está na beira de um precipício.
Note as palavras que ele dirige a Deus no começo do seu dia: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”. Soa familiar?  O poema descreve um homem que está magro de tanto sofrer: “ posso contar todos os meus ossos...” A bíblia nunca esconde  que seus personagens eram humanos-  gente que encharcava a cama de lágrimas. Pessoas  quem tinham como testemunha o travesseiro.
Vivemos em um tempo em que as pessoas fazem de tudo para esconder que são feitas de carne e osso, para fingir que não se desesperam.    
Os analistas são pagos para identificar e “resolver” os problemas de cada um de nós. Os pastores conhecem bem a arte de iludir seus fiéis, dizendo que a tristeza não faz parte da vida de um cristão autêntico. O hinário atual nada tem haver com livros dos salmos, aquele grande odre de lágrimas, manual das perguntas não respondidas. 
 Por que não se diz mais aquilo que a palavra diz? Por que não se fala mais de manhãs em que a vida parece não ter mais nexo nenhum... O salmo 22 termina com uma esperança viva de que Deus redimirá a nossa vida das manhãs sem sentido, e das noites insones. Seguros de que não estamos sós, encontramos força para caminhar como a corça, até na manhã mais gelada de nossa alma.

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