Há um tempo atrás, um conhecido pastor evangélico, escreveu um texto em seu site que trazia no título as palavras “ Estou cansado”. Tratava-se de um sincero desabafo do referido pastor acerca de sua decepção com a instituição religiosa da qual fazia parte.
Suas palavras são lúcidas e cortantes, coerentes com a pessoa do pastor.
Uma amiga minha, numa conversa franca e aberta, me mostrou os motivos pelos quais ela, que outrora fizera parte de uma igreja, não participava mais de nenhuma instituição religiosa. Procurei ouvi-la, compreendendo seus motivos e suas frustrações com as instituições-ela também criticava a universidade, as convenções sociais e afins.
No final da conversa, que durou quase uma hora, tive que dar a mão à palmatória e afirmar que em geral ela tinha razão.
Sejamos honestos: Nem nós, cristão leigos, agüentamos mais o fardo que a religião impõe nas costas de seus seguidores. A gente sabe que ali tem muita coisa humana, demasiado humana, para nós engolirmos como sendo uma “revelação inquestionável de Deus”. No fundo, até mesmo aqueles que praticam corretamente todas as regrinhas da religião, suspeitam se estão mesmo corretos e não sabem explicar por que fazem o que fazem. É só perguntar a qualquer um deles e você verá que não há base sólida para seus comportamentos. Ou seja, suas ações são cegas, e não são acompanhadas de uma reflexão prévia. Trocando em miúdos: não pensam por si mesmos, mas pelos outros é que pensam. É como se tivessem colocado um “chip” dentro de suas cabeças, dizendo o tempo todo o que devem fazer...
Não adianta achar que é zelo defender a placa das igrejas frente ás criticas que hoje se fazem a elas. A crítica deve ser entendida, como dizem os mais sábios entre nós, como sendo uma “profecia externa”,isto é, de fora, que visa advertir a igreja contra seus erros- “já que um cego não pode guiar outro cego” (Jesus). Os mais fanáticos vão me dizer que as denuncias de fora são do diabo, são do mal etc. Mas eu digo: quando uma instituição está cega, Jeremias é tido como traidor, e Jesus é digno de uma cruz.
Não adianta querer se justificar dizendo que a igreja não é o céu, mas o caminho para lá... Porque o pessoal vai com Toda razão replicar que o pedágio ta saindo muito caro...
Já nos idos de 1943, o pastor e teólogo alemão, Dietrich bonhoeffer, nos alertava que, para o cristianismo sobreviver, ele tinha que abolir a religião. Devemos atentar para seu conselho, pois ele é relevante para nós hoje, já que vivemos em um mundo arreligioso, que não quer mais uma religião e sim liberdade. E sejamos humildes com aqueles que mostram nossas incoerências: Sim, a instituição pode apodrecer e morrer, mas a Igreja (com I maiúsculo) jamais vai morrer. Porque ela é o corpo do cristo vivo, sua expressão, sua continuidade, sua representação em um mundo sem Deus. Vele a pena lutar por ela? Vale a pena continuar nela? Dizem que a Igreja responde perguntas que ninguém faz mais... Cabe a nós, como IGREJA, responder as perguntas que as pessoas fazem hoje. Para que a famosa máxima não se repita com tanta freqüência: Jesus é a resposta, mas qual é a pergunta? Deus tem misericórdia de Nós.
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